Friday, July 10, 2009

São Paulo - Paris - Bahrain

A primeira vez que vim ao Bahrain visitar o Rabih foi uma novela e eu estava muito ansiosa após esperar um mês desde o nosso último encontro. Comecei a viagem com um final de semana em Paris, sempre Paris, para comemorar meu aniversário com amigos sem o mocinho pois ele tinha que trabalhar (a turma do banco onde ele trabalha é a única que conheço aqui que realmente trabalha...). Chegando no CDG aquela esteira maldita rodava, rodava e rodava... e as pessoas iam pegando suas bagagens e a minha mala nada ! Fui ao escritório denunciar o sumiço e o monsieur de lá me chamou de impaciente e mandou eu voltar pra esteira. Voltei e fiquei esperando até que ela parou e o técnico me olhou e disse "hum... desolé". 

Mais uma vez me dirigi ao escritório da Air France e a mademoiselle da vez pediu o comprovante da bagagem e para a minha surpresa eu imediatamente me transformei no Mr. Wilson Perez, equatoriano, indo de Buenos Aires para Barcelona com escala em São Paulo e Paris, voando pela TAM (???). A funcionária bisbilhotou todos os arquivos eletrônicos da aviação daquele dia e da véspera e descobriu que este senhor latino não despachou nenhuma mala e muito menos que EU tinha embarcado no avião na noite anterior. Ela olhou para mim e mais uma vez veio o "hum... desolé", disse que a minha mala estava desaparecida (até então, novidade!) e que seria praticamente impossível reavê-la já que eu nunca estive no avião e o Mr. Perez era o "mais novo proprietário legítimo". 

Foi aí que me desesperei, estava indo encontrar o Rabih numa ilha com temperatura média de 30ºC o ano inteiro e em Paris era meio de março portanto um puta frio em comparação. Onde eu ia encontrar roupas de verão naquela época do ano? Mas nem com reza brava. Eu queria estar linda pra ele e... não aguentei. Minha garganta fechou e eu comecei a chorar que nem uma galinha esganiçada na frente de todo mundo. Coitada da minha mãe que teve que me aguentar ligando de 5 em 5 minutos da França implorando para ela fazer alguma coisa. O máximo que conseguiu foi ouvir de um funcionário da cia francesa no aeroporto de Guarulhos que ele não podia ajudar pois eu não tinha voado.  

Eu chorava compulsivamente e a turma do escritório começou a ficar nervosa. Fizeram de tudo para eu parar até o momento que a mademoiselle não aguentou e recomeçou a procurar a minha mala no sistema do computador mais uma vez. Não sei até hoje se ela estava comovida com o drama ou era só uma dor de cabeça por causa dos berros e soluços. A última tentativa foi ligar para o diretor da Air France que por coinscidência estava no CDG. Ele, como "autoridade máxima", pôde ir nos confins do nada pequeno Gaulle e trouxe para mim uma mala linda, bela e preta! Era a minha querida. 

O diretor contou que aquela mala por não ter dono (ela passou de dois donos pra indigente) era suspeita e estava num depósito anti-bombas em quarentena!!! Fiquei tão comovida que distribuí beijos e abraços apertados além de convidar todo mundo para a minha festa de aniversário mas ninguém apareceu; acho q eles queriam distância de mim...


3 comments:

yara said...

O sujeito não se chamava Wilson Pereira mas sim Wilson Perez e estava realmente indo pra Barcelona. Nunca eu vou esquecer depois de passar um tempão no telefone convencendo o pessoal da Ai France de Cumbica que você tinha embarcado no vôo e que eu estava falando com você em Paris pelo telefone. E quem guardou o comprovante da mala fui eu. Estou mandando por email pra você. Rerere!!!

Andrea de Carvalho said...

por isso que vc eh meu gnominho. já estou indo lá corrigir este mal entendido terrível. e claro, adicionar o comprovante.

marina said...

eh amiga.... como diria a minha avó, (grande Pichita!): "quem não chora...."
Já imaginou se você resolvesse ser fina e ficasse quietinha??? bjs