Thursday, July 16, 2009

A primeira impressão é a que fica?

Aterrissei em Bahrain pela primeira vez em março de 2008 às 3h30 da manhã depois de um vôo com duas escalas e várias horas. Eu sabia que o Rabih estaria me esperando no desembarque então queria causar nele uma impressão WOW ! e após tomar um pseudo banho na pia do toalete do avião saí do portão me sentindo toda poderosa. O nosso reencontro foi ótimo e durante os 5 dias que passei aqui o mocinho me conquistou ainda mais. Ele preparou atividades e também contratou um motorista/guia local para me levar/mostrar todas as atrações turísticas. 

No primeiro dia, terça-feira, o Rabih me levou a um spa no meio do deserto chamado Banyan Tree para passarmos o dia à borda da piscina com direito a massagens, body scrubs e afins. Ao voltarmos para casa ele cozinhou e comemoramos meu aniversário de 29 anos. No dia seguinte bem cedinho o motorista/guia veio me buscar e acabamos vendo tudo o que tinha para ser visto no país em menos de 1 dia. Tá certo que não há muitos pontos turísticos mas... Na quinta-feira eu já estava liberada para ir às compras enquanto o Rabih trabalhava suas 12 horas diárias. 

A sexta-feira já era final de semana; normalmente os dias de descanso muçulmanos são quinta seguida da sexta mas muitos países árabes mudaram estes dias para sexta e sábado para se adaptarem um pouquinho ao Ocidente. Passeamos para cá e para lá, mais precisamente de um shopping pro outro, e eu vestia um vestido curto à la Brasil. Tinha pesquisado muito na internet antes de vir e todos falavam quanto Bahrain era um país liberal em relação aos outros países da região. Interpretei que era possível mostrar consideravelmente as pernas e só realizei o erro quando já estava sendo seguida por sauditas fantasiados com seus thobes. Nem me importei, a vantagem de ser turista é poder dar uma de mané e continuar em frente, poucas horas depois eu estaria usando um mini shorts toda feliz da vida. 

Na nossa última noite fomos numa boate dançar com amigos. Era de madrugada e a noite estava perfeita então ao deixarmos a festa ficamos namorando um pouquinho no carro sem a capota. Eu estava com a cabeça apoiada no colo do Rabih e apenas conversávamos quando este carro de polícia encostou do lado e os oficiais desceram para falar com a gente. Todo mundo só se comunicava em árabe e eu estava lá boiando. Mais um carro de polícia chegou e mais oficiais estavam discutindo com o Rabih algo que não me cheirava muito bem. Na verdade estava fedendo e muito. O meu namorado deu uma de macho man e disse para eu não me preocupar que ele já estava resolvendo tudo mas eu não conseguia relaxar pois já estávamos cercados por 8 policias divididos em 4 viaturas. 

Árabe gosta de debater e mais de uma hora depois eu estava indo pra delegacia dentro do camburão lacrada com vidro blindado além de grades, grades !!!!. Um policial estava ao meu lado e a única coisa que ele sabia falar em inglês era "don't worry" com um sorriso no rosto. Como assim não me preocupar? Eu estava de mini shorts num país muçulmano, presa num camburão em direção ao departamento de policia, com um monte de gente falando uma língua que eu não entendia nada e ainda por cima o meu "macho" namorado estava com cara de cuica do outro lado do carro, já que não fomos autorizados a fazer esta viagem lado a lado. 

Pois bem, na primeira visita a este país liberal fui detida por estar conversando com um homem dentro de um carro a céu aberto que não era o meu marido ainda. Nos deram o maior chá de cadeira e só nos liberaram após eu simular um choro falso e gritar que queria minha mãe. O choro tinha funcionado em Paris (ler o post São Paulo-Paris-Bahrain) então o considerei como um possível recurso à liberdade. Funcionou, fomos liberados e resgatados pelo nosso vizinho que gentimente levantou da cama às 6 da manhã para ir nos buscar. Este foi o meu primeiro momento bem feito em Bahrain e a última vez que ouvi o Rabih dizer em tom macho-man que resolveria uma situação complicada. 

Esta foto foi tirada 5 minutos antes do "xadrez"; e ainda por cima estávamos bebendo, reparem na garrafa de stelinha na minha mão

3 comments:

mara said...

por pura curiosidade...
qdo foi que vc contou essa história prá gnomo?

yara said...

meses............ depois

Andrea de Carvalho said...

só da última vez que fui ao brasil, mas o tim não sabe... e como eu duvido q ele leia este blog ... não vai saber nunca